terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Forró pra gringo ouvir



Forró pra gringo ouvir*
  

Por Érico Sátiro



No final de 2016, uma lista de suas músicas preferidas para praticar atividades físicas, divulgada pelo ex-presidente dos EUA Barack Obama, tornou-se notícia no Brasil por uma inclusão inusitada: a faixa “Perro Loco”, da banda Forro in The Dark, grupo formado em Nova York no ano de 2002, por três brasileiros lá radicados, e que mistura ao forró elementos da música pop, como a adição de guitarras e saxofones. Será então que o nosso forró definitivamente se popularizou no exterior? Ainda não tanto, até porque “Perro Loco” não é exatamente uma canção de forró tradicional, porém, isso não quer dizer que o ritmo nordestino não tenha uma boa aceitação em terras estrangeiras. Muito pelo contrário, basta perceber o sucesso que os músicos do estilo conseguem ao realizar turnês em outros países, em especial na Europa. Além disso, assim como o Forro in The Dark, há outros grupos formados no exterior explorando o forró, a exemplo do Matuto, também nos Estados Unidos, e o Bel Air de Forro, na França, o que ajuda a difundir o gênero ao redor do mundo.
A admiração do público e da crítica estrangeira é grande ao ponto de haver determinados discos de música nordestina que foram lançados exclusivamente no exterior, até mesmo de artistas consagrados no estilo. Sivuca, Oswaldinho, Dominguinhos, Camarão e João do Vale são exemplos de músicos brasileiros que tiveram álbuns lançados ou reeditados somente no exterior. Há algum tempo, não havia alternativa ao público brasileiro para escutar tais discos, senão comprá-los em outros continentes. Com o advento da internet, surgiu a oportunidade de importá-los através de lojas online ou “baixar” os arquivos por meio de sites de compartilhamento. Atualmente, embora ainda exista a possibilidade de adquiri-los em sites estrangeiros de cds, pode-se ouvir a maioria desses álbuns em plataformas de streaming como Spotity ou Deezer. O reconhecimento do público estrangeiro ao valor do forró não é novidade, mas a existência desses discos é mais uma mostra, em tempos de invasão do “breganejo” e dos “forrós de plástico” nas festas juninas, que a autêntica música nordestina nunca vai acabar. Confiram abaixo alguns desses cds que foram lançados ou reeditados somente no exterior:


 Forró Novo – Oswaldinho (1997) – Com apresentações e participações em festivais em diversas partes do mundo, o acordeonista Oswaldinho, conhecido por explorar ritmos como jazz, rock, blues e até o erudito em seus discos, lançou na Alemanha, pelo selo Piranha´s, o seu disco mais nordestino da carreira, utilizando apenas sanfona, triângulo e zabumba. São 13 faixas instrumentais gravadas pelo filho do forrozeiro Pedro Sertanejo, mesclando canções de sua autoria com clássicos de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, em um dos melhores álbuns de sua discografia.



  Accordeon do Brasil - Julinho do Acordeon (1992) – o acordeonista e maestro cearense João Aguiar Sampaio, o Julinho, falecido em 2008, é autor de canções como “De Juazeiro a Crato” (Julinho/Luiz Gonzaga), “Dengo maior” (Humberto Teixeira/Julinho) e “Carapeba” (Julinho/Luiz Bandeira), todas gravadas por Luiz Gonzaga, além de “Magoada” (Julinho/João do Vale), interpretada por Clara Nunes, e da instrumental “Baiãozinho bom” (Julinho/Evaldo Gouveia), uma de suas composições mais conhecidas. Exímio instrumentista, Julinho também se apresentou em vários países e gravou diversos LPs em sua carreira, além desse cd lançado na França, em 1992, pelo selo Kardum. No encarte, texto escrito pela francesa Dominique Dreyfus, biógrafa de Luiz Gonzaga.


  Camarão plays forró – Camarão (1998) – Reginaldo Alves Ferreira, o Camarão, falecido em 2015, recebeu em 2003 o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco, o que demonstra a importância do sanfoneiro para a cultura do seu Estado. Dono de um estilo próprio de tocar acordeon, o músico gravou em 1995, no Recife, as músicas do cd Camarão plays Forró, lançado somente na Europa, em 1998, pelo selo Nimbus, da Inglaterra. Com capa extraída de tela da artista plástica Isa Galindo, o cd, com interpretações no autêntico estilo pé de serra, traz ainda o também falecido Arlindo dos 8 
Baixos em quatro faixas, além de contar com a participação da cantora Joana Angélica nos vocais.


     Brazil: Forró – Music for maids and taxi drivers (1990) – Apesar de ter uma versão lançada no Brasil, esse disco não poderia faltar na lista. Em 1981, o produtor e músico pernambucano Zé da Flauta gravou, em condições estruturais improvisadas e experimentais, duas fitas com músicas de Toinho de Alagoas e Duda da Passira, autênticos representantes do forró. Após vendê-las para a Visom Digital, recebeu o pedido de mais duas fitas, que foram gravadas com Heleno dos 8 Baixos e José Orlando, em 1982. Vários anos depois, os quatro discos foram compilados e lançados nos Estados Unidos e Europa com o título de “Brasil: Forró – Music for maids and taxi drivers”. O sucesso foi tão grande que, além de ter recebido um prêmio na Inglaterra de melhor capa de cd internacional, em 1990, pela xilogravura de Marcelo Soares, o disco foi indicado ao Grammy Awards na categoria traditional folk, em 1991. “Por causa de um disco de forró, estávamos na festa de premiação dando de cara com nomes como Natalie Cole, Keith Richards (Rolling Stones), Aerosmith, Billy Idol, Quincy Jones...”, relembra Zé da Flauta. O êxito da empreitada também acabou rendendo uma edição nacional do cd e um novo disco de forró: Pé de Serra Forró Band.



  Dance music from the countryside - Pé de Serra Forró Band (1992) – Com o sucesso do “Music for maids and taxi drivers”, Zé da Flauta foi procurado por Tiago de Oliveira Pinto (brasileiro radicado na Alemanha), do Departamento Latino-Americano da Haus Der Kulturen Der Welt (Casa das Culturas do Mundo), de Berlim, para fazer um disco semelhante, a ser lançado na Alemanha. O produtor reuniu, então, Duda da Passira (acordeon), Heleno dos 8 Baixos (fole de 8 baixos), Tavares da Gaita (gaita, reco-reco), Raminho (zabumba, triângulo) e Quartinha (zabumba, triângulo) para formar o Pé de Serra Forró Band. “Eles (Casa das Culturas do Mundo) têm um estudo completo sobre o pífano e possuem todos os ritmos nordestinos escritos em partituras, coisas que nós não temos”, impressiona-se Zé da Flauta. As gravações foram feitas no Recife, em fevereiro de 1992, e o disco lançado na Alemanha pela própria Haus Der Kulturen Der Welt.



  O poeta do povo - João do Vale (1965) - Autor de centenas de músicas, o cantor e compositor maranhense João Batista do Vale teve, no entanto, uma curta discografia. “O poeta do povo”, seu primeiro disco de carreira, foi lançado no Brasil em 1965, com boa aceitação do público e da imprensa especializada. “Nesse LP, João do Vale canta com muita convicção, muita naturalidade e fervor, um punhado de composições suas, acompanhado por um bom violão e ritmo”, enfatizou o crítico L. P. Braconnot¹, à época do lançamento. Apesar da qualidade, a obra nunca foi editada em cd no nosso país. Em 2014, no entanto, pelo selo Doxy Music, o LP ganhou uma reedição na Europa em que, junto com o bolachão, vem uma versão em compact-disc. Entre as faixas, clássicos como “Carcará” (João do Vale/José Cândido), “Pisa na fulô” (João do Vale/Ernesto Pires/Silveira Jr.), “A voz do povo” (João do Vale/Luiz Vieira” e “Peba na pimenta” (João do Vale/José Batista/Adelino Rivera).




 Domingo Menino Dominguinhos – Dominguinhos (1976) – Contando com um time de primeira ao seu lado, formado, entre outros, por Wagner Tiso (piano elétrico), Gilberto Gil (violão), Toninho Horta (guitarra), Moacyr Albuquerque (baixo) e Jackson do Pandeiro e seus irmãos Tinda e Cícero (percussão), Dominguinhos gravou, em 1976, um dos grandes discos de sua brilhante carreira. Misturando jazz aos ritmos tradicionais da música nordestina, o acordeonista pernambucano imprimiu a sensibilidade marcante do seu instrumento em cada faixa do álbum, deixando-o mais com cara de mpb do que de forró. “Tem que tocar pra fora, com alegria, com prazer, senão, mando todo mundo embora. O Wagner Tiso e o Toninho Horta, acostumados a tocar com o Milton Nascimento, de vez em quando começavam a entortar, a fazer aquele som fechado, de lata velha. Mas aí, eu explicava que meu som é diferente, e como eles são flexíveis, compreendiam”, declarou um exigente Dominguinhos². A incorporação do jazz e outros elementos em sua música também gerou a incompreensão de alguns críticos, como o jornalista José Ramos Tinhorão, que, à época, teceu pesados comentários sobre o disco³. A edição em cd do disco permanece inédita no Brasil, tendo sido lançada somente no Japão, em 2015. No repertório, quase todas as faixas são de autoria do próprio Dominguinhos e de Anastácia, com exceção para “Gracioso”, do flautista Altamiro Carrilho.



   Samba Nouvelle Vague – Sivuca (1961/1962) – Embora este não seja um disco de forró, não poderia faltar na relação, principalmente pela importância do autor para a música nordestina. Foi durante o período em que residiu na França, que Severino Dias de Oliveira, o Sivuca, paraibano de Itabaiana, gravou os álbuns “Sivuca e os ritmos brasileiros de Silvio Silveira” (1961) e “Samba Nouvelle Vague” (1962), interpretando choros e diversas canções da bossa nova, como “Samba de uma nota só” (Newton Mendonça/Tom Jobim). Nas gravações, que também contaram com outros músicos, Sivuca foi o responsável, além do acordeon, pelos pianos, vocais, arranjos e guitarras (somente no disco de 1962). Em 2005, a Universal Music da França reuniu os dois álbuns em um único cd, com o mesmo título do LP de 1962. Foi disponibilizado na Europa e ainda é possível encontrá-lo com certa facilidade em lojas estrangeiras na internet.


     Richard Galliano au Brésil – Vários (2014) – Apesar do título, o cd nada mais é que a trilha sonora do documentário “Paraíba, meu amor”, do diretor suíço Bernard Robert-Charrue, que se apaixonou pelo forró ao conhecer o ritmo e produziu este filme sobre o gênero, direcionado ao público europeu e lançado em 2008. Nas gravações, o acordeonista francês Richard Galliano passeia, toca pela Paraíba e observa o som de nomes como Dominguinhos, Chico César, Pinto do Acordeon, Aleijadinho de Pombal e Os 3 do Nordeste. O repertório do disco, disponibilizado somente na Europa em 2014, em formato de cd duplo, é composto pelos áudios extraídos exatamente dos números musicais do filme.


    Forró Acústico – Accordéon du Nordeste du Brésil, volumes 1 e 2  – Vários (2007/2008) – Em 2006, o produtor belga Damien Chemin, então residente em Sergipe, idealizou um projeto de pesquisa de artistas do forró, principalmente naquele estado e em Alagoas, que resultou na coletânea “Forró Acústico – Accordéon du Nordeste du Brésil”, lançada em dois volumes pelo selo francês Cinq Planètes. As gravações, que foram realizadas nas próprias casas e bairros dos músicos, fora dos padrões convencionais de estúdio, traziam nomes pouco conhecidos em outras regiões como Olivan do Acordeon, Cachoeira, Bodocó e Batista do Acordeon, ao lado de músicos de maior destaque como os irmãos Mestrinho e Erivaldinho, filhos do também forrozeiro Erivaldo de Carira. Os discos circularam pela Europa e Japão, tiveram boas vendas e ganharam destaque na imprensa internacional, como a revista francesa Mondomix.








  Forró do Baú – Cobra Verde (2009) – Admirado com o talento do sanfoneiro sergipano Soenildo Santos Mendonça, ou simplesmente Cobra Verde (também participante da coletânea “Forró Acústico – Accordéon du Nordeste du Brésil”), o diretor do selo Cinq Planètes, Philippe Krümm, famoso na Europa pelo seu conhecimento sobre o acordeon, pediu que Damien Chemin produzisse um disco solo de Cobra Verde para seu selo. O cd foi gravado em Aracaju, em 2009, mas foi lançado na França e distribuído na Europa, EUA e Japão pela L'autre Distribution. Com embalagem caprichada, trazendo livreto com várias fotos em 28 páginas, o álbum apresenta cinco execuções instrumentais e diversos convidados nos vocais nas outras faixas, como o cantor, repentista e instrumentista Genovitor, a falecida cantora Clemilda e o baiano Adelmário Coelho, que interpreta “Carreiro Novo”, de Jacinto Silva. "Chamamos diversos artistas e amigos para participar do cd. Todos gostaram da ideia de participar do primeiro trabalho solo de Cobra Verde, que é muito respeitado em Sergipe", afirma Chemin. Bem recebido pela crítica europeia, o disco impulsionou o músico em uma pequena turnê pela França e Bélgica, além de participação em um festival de música popular na Argentina.

A Festa - Luiz Gonzaga (1981) - Lançado em abril de 1981 e recebido pela crítica com certa discrição, o 39º LP do Rei do Baião trouxe regravações de clássicos como "Paraíba" (Humberto Teixeira/Luiz Gonzaga) - canção criada inicialmente como um jingle para a campanha política de José Américo de Almeida, na Paraíba - e "Cacimba Nova" (José Marcolino), ao lado de outras músicas que, embora não tenham se tornado emblemáticas, deram brilho à continuidade do consistente e autêntico repertório de Luiz Gonzaga. O álbum registra também diversos convidados especiais: Emilinha Borba, Gonzaguinha, Nelson Valença, Dominguinhos, Zé Marcolino e Milton Nascimento. Sobre este último, que participa da faixa "Luar do Sertão" (Catulo da Paixão Cearense), Gonzaga relatou: "O contato com Milton Nascimento foi simples. Nós nem ensaiamos, todo mundo sabe cantar essa música. Só tive cuidado em afinar com ele, porque ele tem uma extensão de voz muito grande (...). Ele é uma figura interessante, fala pouco, muito pouco"5. Embora o disco tenha sido disponibilizado neste ano em plataformas digitais, a edição em cd permanece inédita no Brasil, tendo sido lançada no Japão, em 1995, pela BMG Ariola. Raríssima, a mídia em compact-disc é oferecida atualmente pela bagatela de quase mil reais no site do Mercado Livre.

Referências:

1. Braconnot, L.P. Coluna Discos, Tribuna da Imprensa, 25 de outubro de 1965.
2. Souza, Tárik de. Coluna Acontece, Jornal do Brasil, 1º de agosto de 1976.
3. Tinhorão, J. R. "O sanfoneiro que subiu para cair", Jornal do Brasil, 16 de agosto de 1976.
4. http://blogs.mondomix.com/accordeon.php/2010/09/25/forro-la-musique-des-cacheros-du-nordest.
5. Dreyfus, Dominique. Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga. Editora 34, 1996, 1ª edição.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ex-Trio Sabiá, Aluízio Cruz prepara novo cd em carreira solo






São mais de 30 anos dedicados ao forró pé de serra, dos quais foram 21 integrando o Trio Sabiá, um dos nomes mais populares do forró pé de serra do sudeste. Sua última apresentação com o trio foi em julho deste ano, e, de lá pra cá, tem se dedicado na finalização de seu novo cd, agora em carreira solo. Estamos falando de José Aluízio de Jesus Cruz, ou simplesmente Aluízio Cruz, cantor e compositor, sergipano de Simão Dias, que vive uma nova fase em sua trajetória desde que deixou a companhia de Tio Joca e Zito para alçar vôo próprio.

Aluízio está finalizando o seu cd solo intitulado "Forró bom", que conta com um repertório inteiramente autoral. Embora se mantenha fiel ao estilo pé de serra, o cantor pretende adotar uma musicalidade um pouco diferente da que era ouvida no Trio Sabiá. Para saber um pouco mais sobre o "Forró bom" e sua carreira, o blog do Ralabucho fez uma entrevista exclusiva com Aluízio, que falou com muito entusiasmo acerca de seus novos projetos. Confiram:

Ralabucho - Foram mais de 20 anos à frente do Trio Sabiá. O que o levou à decisão de retomar uma carreira solo?

Aluízio - A busca por novos ideais, que pretendo ampliar no cenário da cultura popular brasileira.

Ralabucho - Como foi a reação do público, dos fãs, ao saberem que você havia deixado o Trio Sabiá?

Aluízio - Inicialmente ficaram surpresos ao saber da minha saída do trio, mas, ao mesmo tempo, recebi bastante incentivo deles nesse meu novo trabalho. 

Ralabucho - Embora seja nordestino, de Sergipe, você está radicado em São Paulo há mais de 3 décadas. Você percebe alguma diferença entre o forró tradicional praticado aqui no Nordeste e o do Sudeste?

Aluízio - Eu cheguei em São Paulo em 1980, comecei a cantar o forró em 1983, mas desde os 9, 10 anos que eu escuto Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste. Mas não vejo diferença não, o forró pé de serra é igual nos quatro cantos do mundo.

Ralabucho - O Trio Sabiá atravessou o período do chamado forró universitário, nos anos 90, e influenciou bastante a nova geração de forrozeiros do sudeste. Como você viu aquele movimento?

Aluízio - Vi de forma positiva, porque esse movimento abriu as portas para o forró pé de serra aqui.

Ralabucho - Fale um pouco do seu primeiro trabalho nessa nova fase, o cd "Forró bom". Quando será lançado? Há participações especiais?

Aluízio - O disco já está praticamente finalizado. A capa já está pronta, a contracapa também. Faltam apenas alguns detalhes, como, por exemplo, escrever um histórico da minha carreira, minha trajetória no forró, que pretendo inserir no material. O trabalho contém 15 canções, dentre forrós, xotes, baiões e arrasta-pés, todas de minha autoria, e também haverá participações, como a de Enok, do Trio Virgulino, que canta comigo a faixa "Xote das Loirinhas". Todos os arranjos são meus, fiquei muito tempo trabalhando neles, são simples, mas muito bem feitos. Acho que as músicas devem ter arranjos adequados, sem um arranjo bom fica não fica legal. Meu trabalho está muito bacana, estou muito feliz com ele e entusiasmado com essa nova fase. Pretendo lançar o cd agora em dezembro próximo.

Ralabucho - O "Forró bom" possui todas as faixas autorais, como você falou. É uma tendência que você pretende seguir, gravando principalmente canções autorais?

Aluízio - Não, não. Espero incluir, nos próximos trabalhos, canções de outros compositores também. Tenho várias músicas antigas com parcerias, algumas até inéditas, mas no "Forró bom" incluí apenas músicas novas.

Ralabucho - Quais foram os músicos que o acompanharam nessas gravações? Quais você pretende levar nas apresentações?

Aluízio - Tom Silva (sanfona), Tiziu do Araripe (zabumba), Carlinhos de Lia (contrabaixo), Tiaguinho (cavaco) e vários outros. Todos os músicos que participaram das gravações são grandes profissionais. Espero contar sempre com eles.

Ralabucho - Antes de ingressar no Trio Sabiá, você já tinha algumas músicas gravadas em carreira solo. Serão relançadas?

Aluízio - Eu realmente já possuía algumas músicas gravadas em 1990, mas que nunca foram lançadas. Recentemente, incentivado por um amigo, Ivan (do Rootstock), acabei usando essas canções para fazer um cd demonstrativo, promocional, intitulado "Cravo e Canela". As músicas são muito boas, tem bons forrós, como "Claridade", "Frevo baiano" e "Cravo e canela", faixa-título. É um trabalho bem gostoso de se ouvir.

Obs.: após a realização dessa entrevista, o cd "Cravo e canela" foi disponibilizado para download no site Forró em Vinil, no seguinte link: www.forroemvinil.com/aluizio-cruz-aluizio-cruz/

Ralabucho - E em relação aos shows, como anda a agenda?

Aluízio - Graças a Deus está tudo certo e continuo fazendo os meus shows. Também estou finalizando meu site, que é o www.aluiziocruz.com, que vai ter meu histórico, músicas, vídeos e espaço para contatos.

domingo, 14 de setembro de 2014

Targino Gondim e Canções Divinas

Targino Gondim, juntamente com o style Zezinho, Padre Valson e a fotógrafa Josefa Coimbra
(foto tirada na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, em Salvador)


Sanfoneiro prepara disco com temática religiosa


O músico pernambucano Targino Gondim finalizou, em Salvador/BA, as gravações para o seu próximo cd, intitulado "Targino Gondim e Canções Divinas", composto por diversos cânticos católicos. Em trabalhos anteriores, o sanfoneiro utilizou temas como a região do semi-árido nordestino (no cd "Belo Sertão", com Nilton Freitas e Roberto Malvezzi), as festas juninas (cd "Canções Joaninas") e também prestou homenagens a seu ídolo Luiz Gonzaga (cds "Canções de Luiz" e "Mais canções de Luiz"). Agora chegou a vez de demonstrar, através das canções, sua fé e devoção. "Desde o ano de 2005 pensei em um trabalho voltado para a fé do povo brasileiro, principalmente a fé do povo nordestino", afirma o cantor. "Em todas as canções mostro o anseio de um povo sofrido e esperançoso, e trago na minha sanfona e voz o desejo e fé do nosso Povo de Deus", completa.

No cd serão incluídas 16 músicas, como "Hino ao Senhor do Bonfim", de Arthur Sales/João Antônio Wanderley, "Nossa Senhora da Conceição", de Dominguinhos/Anastácia, "Oração da Família", de Padre Zezinho, além das conhecidas "Romaria", de Renato Teixeira, e "Ave Maria Sertaneja", de Júlio Ricardo/O. de Oliveira, consagrada na voz de Luiz Gonzaga. Também foram gravadas 3 canções autorais: "O Papa Francisco", em parceria com o compositor Wilson Duarte, e "Clara" e "Senhor Jesus", compostas com Manuca Almeida, parceiro de Targino Gondim (juntamente com Raimundinho do Acordeon) no maior sucesso de sua carreira, "Esperando na janela".

O lançamento do álbum está previsto para novembro. Sobre a motivação para o cd, Targino revela: "Quando criança, fui levado para missas, quermesses, novenas e cresci vendo tudo isso. Tornei-me artista, participei, contribuí com minha voz e sanfona por muitas e muitas vezes nos eventos litúrgicos, filantrópicos, de ajuda ao próximo. E sempre me senti muito atraído e emocionado nas minhas visitas aos Santuários de Aparecida, Bom Jesus da Lapa, Padre Cícero e Nossa Senhora da Conceição, da Penha e de Fátima". O Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que em sua carreira também gravou diversas canções de natureza religiosa, deve estar, lá de cima, orgulhoso do seu talentoso discípulo.

Targino Gondim e Padre Valson

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Lenda viva do forró, Zé Calixto lança o cd "Tocando pra se dançar"



Com pouco mais de 80 anos de idade, o instrumentista paraibano Zé Calixto mostra mais uma vez porque é considerado um dos maiores tocadores do fole de 8 baixos ao lançar o excelente cd "Tocando pra se dançar" (DN Music), após um hiato de 6 anos - o último cd solo, "Poeta da Sanfona", saiu em 2008.

Integrante da chamada velha guarda do forró pé de serra, Zé Calixto esbanja habilidade na difícil (para nós, mortais) arte de tocar 8 baixos, em regravações de clássicos de sua carreira como "Guarajá no Varandão" (Zé Calixto/De Castro - 1969), "Xote em fá" (Zé Calixto - 1960), "Saudade de Tambaú" (Zé Calixto - 1962) e "Forró do Seu Dideu" (Zé Calixto - 1960), homenagem a seu pai, Seu "Dideus". O músico paraibano também incluiu composições de nomes tradicionais do forró, como Dominguinhos/Anastácia ("Eu me lembro"), Zé Gonzaga/João do Vale ("Madalena"), Zé Dantas ("São João no Arraiá") e Jackson do Pandeiro ("A pisada é essa", gravada anteriormente por Zé Calixto em 1963). Além dos tradicionais ritmos nordestinos, o paraibano não esqueceu, logicamente, do choro, em faixas como "Bole-bole" (Jacob do Bandolim" e "Choromingo" (Zé Calixto). Das 14 músicas do disco, apenas 3 não são instrumentais: "Madalena", cantada por Reginaldo Regis, "Eu me lembro", por Caboré, e "São João no Arraiá", na qual o paraibano divide os vocais com João Mossoró. Sim, isso mesmo, Zé Calixto se arrisca como cantor, como poucas vezes se viu em sua extensa carreira.

Produzido por Carlinhos Calixto, filho de Zé Calixto, e que também executa diversos instrumentos nas gravações, "Tocando pra se dançar" é um cd pra se ouvir do início ao fim, se possível com a tecla "repeat" do aparelho pressionada. É a prova da importância da pouco valorizada sanfona de 8 baixos, que Zé Calixto tanto difundiu em toda sua carreira, e que tem seu irmão, Luizinho Calixto, como um dos maiores defensores da memória e manutenção do instrumento. Puxa o fole, Calixto!

A volta do Ralabucho!

Amigos forrozeiros, após um período de pouco mais de 1 ano sem postagens, o Programa Ralabucho está de volta. Teremos um novo formato, com mais postagens escritas, além das tradicionais gravações. Informações, notícias sobre discos e artistas, entrevistas, tudo isso estará presente no nosso blog. As gravações serão quinzenais.

Abraços forrozeiros a todos!

sábado, 29 de junho de 2013

Programa Ralabucho nº 61 - Especial Félix Porfírio



Data: 30/06/2013

Duração: aprox. 62 minutos.

Ouça (clique no player abaixo):


Link para baixar: http://www.4shared.com/mp3/8t0z3T8M/Ralabucho_Flix.html


Há exatos 10 anos, em 30 de junho de 2003, o Nordeste perdia um dos grandes nomes de sua música daquele período. Justamente no último dia do mês junino, partia, precocemente, aos 50 anos, o poeta, cantor, compositor, sanfoneiro, violonista, guitarrista, tecladista, produtor e arranjador Félix Porfírio. Embora não tenha se tornado um nome conhecido nacionalmente entre o grande público, Félix Porfírio pode ser considerado sim um dos grandes nomes da música nordestina, principalmente nos anos 80 e 90. Pernambucano da cidade de Ribeirão (30/08/1952), Félix Miguel Porfírio, filho do sanfoneiro João Porfírio, começou a ter contato com a música ainda na infância, época em que levava uma reprimenda toda vez que o pai o flagrava mexendo no seu acordeon. Totalmente autodidata nos instrumentos, ainda adolescente começou a acompanhar grupos e outros artistas, tocando guitarra e teclado. No grupo Embalo Z, por exemplo, tocava teclado, e com o cantor Paulo Diniz, guitarra.

Estreou em carreira solo com o LP Xoteando, de 1987. Em toda sua trajetória, Félix Porfírio lançou 11 discos, sendo 6 lps e 5 cds. Em suas composições, costumava falar principalmente de amor, saudade, de paixão, sem nunca ser meloso, em uma poesia de linguagem simples e direta, mas também compunha canções com a alegria típica do forró. Soube ainda criar melodias belíssimas, sem ser enjoativas. Nunca desvirtuou do caminho do forró autêntico, não aderindo aos diversos modismos que surgiram no cenário musical nordestino e brasileiro durante sua trajetória. Teve suas canções regravadas por nomes como Dominguinhos, Flávio José, Alcymar Monteiro, Adelmário Coelho, Nádia Maia, Irah Caldeira, Santanna, Waldonys, Novinho da Paraíba e muitos outros. Como sanfoneiro, Félix também tocou e gravou para diversos artistas. O último e mais representativo disco de Accioly Neto, por exemplo, intitulado "Meu forró", teve a sanfona gravada por Félix Porfírio, que também era considerado um exímio violonista.

O primeiro álbum, o excelente LP "Xoteando", no qual assinava 8 das 12 canções do disco, algumas em parcerias com compositores como Nando Cordel e Accioly Neto, foi lançado pela Polydisc em 1987. O disco contou com sanfonas de Oswaldinho, que dividiu com Félix os arranjos e teclados. Nesse primeiro trabalho, e em todos os demais de sua trajetória musical, Félix também atuou como produtor  e como arranjador. Destaque para duas parcerias com Nando Cordel: "Desassossego", que foi regravada por músicos como Israel Filho, Adelmário Coelho e Beto Hortis, e "Só quero te amar".

Após o "Xoteando", Félix Porfírio, ainda pela Polydisc, lançou mais dois LPs: "No calor do forró", quando começou a gravar também as sanfonas dos seus discos, e "Recado do Rei". Nesses dois trabalhos, Félix compôs praticamente todas as faixas, incluindo parcerias com Noel Tavares e com os cantores Nando Cordel, Jorge Silva e Petrúcio Amorim.  

Em 1992, ele gravou, pela Discos Celim, o LP "Forró para todos", dividindo as sanfonas com Duda da Passira. O repertório também é todo autoral, com exceção de "Cochichado", de Nando Cordel.
No ano seguinte, 1993, retornou a gravar pela Polydisc, lançando o LP "Morrendo de saudade", cujo destaque é a faixa título, de sua autoria com o poeta Alexandre S. Carneiro, seu compadre. No repertório, canções próprias e de nomes como Accioly Neto, Maciel Melo e, novamente, Nando Cordel.

Em 1994, pela gravadora Colibri, ele lançou seu 6º e último LP, o "Quentura brasileira", que trouxe um dos maiores sucessos de sua carreira, que foi "Represa do Querer", parceria com Noel Tavares.  Nesse LP, Félix fez todas as sanfonas e excluiu das gravações os teclados, adicionando metais como trombone e piston em algumas músicas.Fez também uma homenagem a seu pai, gravando a instrumental Homenagem a João Porfírio, de sua autoria. "Represa do querer", seu grande sucesso, também teve muito êxito com Flávio José e foi gravada ainda por artistas como Dominguinhos, Nádia Maia, Trio Forrozão e Alcymar Monteiro, entre outros.

Na era do cd, Félix Porfírio lançou 5 discos, sendo 4 incluindo músicas inéditas e uma coletânea com alguns dos seus sucessos. Em 1996 lançou pelo selo Gato o álbum "Forró de Verão", que é o cd em que Félix aparece na capa ao lado de sua 3ª filha, Maria Luiza, à época com uns 4 ou 5 aninhos. Talvez seja o seu melhor disco, pois trouxe  músicas como "Meu regaço", de sua autoria com Noel Tavares, e "Deixe o Rio desaguar", de Aracílio Araújo. Nesse cd, Félix, que dividiu as sanfonas com Genaro e com o paraibano Joca do Acordeon, também incluiu algumas gravações antigas de lps, transpondo para a qualidade digital canções como "Represa do querer", "Recado do Rei" e "Morrendo de saudade", além de ter gravado dois duetos, O rosto da solidão, de e com Maciel Melo, e, com Flávio José, Deixe o Rio desaguar, de Aracílio Araújo. 

Ainda pelo selo gato, veio o cd "Namorei em Juareiro e Me casei em Petrolina", que trouxe o sucesso "Segura o forró", de sua autoria, que também teve versões, entre outros, nas vozes de Irah Caldeira e do pessoal do Nordestinos do Forró.. No álbum, Félix incluiu ainda parcerias com Noel Tavares, Aracílio Araújo, A. S. Carneiro e Maciel Melo, gravando a 1ª sanfona, com Genaro na 2ª. 

Pela gravadora Mega Music saiu o cd “Estou voltando”, álbum em que Félix mais adicionou canções de outros compositores, principalmente Aracílio Araújo. Apenas metade das músicas do disco são de autoria do pernambucano de Ribeirão. No cd, regravou ainda duas canções suas, na forma de um pout-pourri: "Fiquei na saudade" e "Recado do Rei". Destaque também para a instrumental "Forró para vocês"

No ano 2000, pela Seleto, veio o último cd com músicas inéditas: "Forró do Cadilak", 10º álbum da carreira do forrozeiro. Dividindo as sanfonas com Genaro, Félix incluiu alguns arrasta-pés e voltou a regravar canções de seu repertório, como Amor, vinho e paixão, sem os metais da primeira gravação, "Deitar no teu colo' e "Ribeirão", homenagem a sua cidade natal. No mesmo ano, participou do cd "A festa do forró", de Petrúcio Amorim, cantando em dueto a música "Forró brasileirinho" (Petrúcio Amorim/Novinho da Paraíba).
Em 2001 foi lançada a coletânea “As melhores de Félix Porfírio”, contendo somente canções que já faziam parte do repertório dos seus cds, sem inclusão de nenhuma música inédita.

Félix Porfírio faleceu na madrugada do dia 30/06/2003, após passar alguns dias internado por conta de uma pneumonia dupla. Como vimos, deixou uma obra muito rica e que merece ser mais conhecida, reconhecida e valorizada. Merece mais homenagens no Nordeste e, principalmente, em Pernambuco, onde nasceu. Todos nós temos certeza que Félix foi muito bem recebido lá em cima e rapidamente se entrosou ao lado de Luiz Gonzaga, Jackson  do Pandeiro e seu grande parceiro e amigo Accioly Neto, falecido poucos anos antesMesmo com a partida de Félix, a música prossegue correndo no sangue de sua família, principalmente através de sua filha mais velha, Renata Porfírio, cantora, dona de uma belíssima voz, e que já possui diversas composições próprias. Renata, que passeia por estilos como MPB, blues, soul e jazz,  integrou a banda La Porfírio e hoje segue em carreira solo. 

Depoimentos:
  
Nádia Maia (cantora): "a gente teve uma felicidade muito grande em ter conhecido, ter convivido com Félix Porfírio. Era um excelente músico, um excelente compositor, um amigo querido. Gravei várias músicas dele, uma delas foi No toque da sanfona, com Petrúcio Amorim. Fico feliz em ter podido conviver com ele, aprendi muito durante o tempo em que ele viveu aqui entre nós em matéria, e pra ele a gente mata a saudade ouvindo suas grandes composições."


Alcymar Monteiro (cantor, compositor): "falar de Félix Porfírio,  um companheiro que eu convivi durante tanto tempo, não é fácil, pois ele já não está mais entre nós fisicamente. Eu vou falar do grande artista. Gravei várias músicas dele, como Represa do Querer e Meu regaço. Félix era uma criança, uma pessoa muito pura, muito simples, querido por todos nós. Era cheio de histórias, de causos. Esses 10 anos dele são 10 anos de saudade. Foi mais um soldado que se foi, deixando o forró em uma dependência muito grande. Félix Porfírio, meu irmão, onde você estiver, receba meu abraço e que Deus te abençõe."

Jorge Silva (cantor, compositor): "Félix Porfírio foi um defensor e grande representante do autêntico forró nordestino e também um dos grandes sanfoneiros do Brasil. Tive o prazer de conviver com ele e, juntos, compusemos várias obras, como, por exemplo, "O Rei mandou dizer". Infelizmente, ele não está entre nós para viver o momento especial do nosso forró pé de serra, mas ele contribuiu muito para que tivéssemos esse reconhecimento." 

Maciel Melo (cantor, compositor): "Félix Porfírio foi o músico mais bem humorado que já conheci, sempre alegre e prestativo. Pra ele não existia saber mais ou saber menos, existiam saberes diferentes, e aí era onde estava a diferença dele para tantos outros artistas que conheço. A humildade, a sabedoria de conquistar amigos, o poder de aglutinação entre as pessoas, eram características dele."

Algumas composições de Félix Porfírio regravadas por outros artistas:

Desassossego: Israel Filho, Adelmário Coelho, Beto Hortis;
O Rei mandou dizer (ou "Recado do Rei"): Jorge Silva, Mazinho de Arcoverde;
Pra ganhar teu coração: Israel Filho, Nádia Maia, Irah Caldeira;
Na rede da paixão: Gláucio Costa;  
Menina do Trem: Aracílio Araújo;
Fuxico de amor: Accioly Neto;
Tô indo embora: Adelmário Coelho;
Amor vinho e paixão: Nádia Maia e Alcymar Monteiro;
Gemer no teu amor: Nando Cordel;
Perdi a noção de ser feliz: Adelmário Coelho;
Luz e balão: Adelmário Coelho; 
Amor envelhecido: Cicinho Lima;
Minha estrela: Novinho da Paraíba;
Amor de primavera: Nádia Maia; 
São João chegou: Cláudio Rios; 
Tô querendo te encontrar: Silveirinha; Novinho da Paraíba; 
Forró do Seu Vavá: Genaro
Lua do céu: Accioly Neto, Novinho da Paraíba;
Um aparecer feliz: Santanna, o Cantador;
No toque da sanfona (ou Sanfona mastigadinha ou Sanfoninha choradeira): Nádia Maia, Terezinha do Acordeon, Adelmário Coelho, Waldonys;
Morrendo de saudade: Carneiro do Acordeon;
Segura o forró: Irah Caldeira, Nordestinos do Forró;
Represa do Querer: Flávio José, Dominguinhos, Nádia Maia, Trio Forrozão, Alcymar Monteiro;
Meu regaço:  Alcymar Monteiro, Cézar Amaral, Ilana Ventura, Nordestinos do Forró, Ladja Betânia;

Discografia:





XOTEANDO (1987)








NO CALOR DO FORRÓ











RECADO DO REI






FORRÓ PARA TODOS (1992)





MORRENDO DE SAUDADE (1993)












QUENTURA BRASILEIRA (1994)








FORRÓ DE VERÃO (1996)









NAMOREI EM JUAZEIRO E ME CASEI EM PETROLINA










ESTOU VOLTANDO





FORRÓ DO CADILAK - VOL. 10 (2000)









AS MELHORES DE FÉLIX PORFÍRIO (2001)








Agradecimentos: a Renata Porfírio, por toda sua atenção, e aos cantores Alcymar Monteiro, Nádia Maia, Maciel Melo e Jorge Silva, pelos depoimentos.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Uma retrospectiva das homenagens a Gonzagão em cd*

Por Érico Sátiro

*Artigo publicado originalmente na edição nº 01 da Revista GENIUS (janeiro/fevereiro/março de 2013),  lançada em João Pessoa/PB, com adaptações e inclusões devido ao lançamento de novos cds após a publicação da revista.


O ano de 2012, por ocasião da passagem do centenário de Luiz Gonzaga, recolocou a música nordestina em evidência no cenário nacional. O filme "De pai pra filho", por exemplo, foi sucesso de crítica e bilheteria em todo o país, alcançando grande audiência também na tv aberta, já no início deste ano, quando foi exibido em formato de minissérie. Em diversas cidades, não apenas do Nordeste, foram organizadas exposições, shows e festas celebrando o Rei do Baião. Já no âmbito das gravações musicais, foram dezenas de discos gravados em tributo a Gonzaga, com artistas de variados gêneros interpretando as canções do repertório gonzagueano, e é uma retrospectiva desses cds lançados que o Ralabucho traz nessa matéria.

O formato de discos em tributo a um artista não é novidade. O próprio Luiz Gonzaga, bem antes do ano de seu centenário, foi homenageado por nomes como Severino Januário (seu irmão) - em parceria com João Silva -, Israel Filho, Quinteto Violado, Elba Ramalho, Ed Carlos etc, que lançaram LPs/CDs com repertório baseado na obra do Mestre Lua. Coletâneas com músicos diversos gravando sucessos de Gonzaga também já existiam. Mas, como já era esperado, surgiram no ano passado tantos cds em homenagem ao Rei do Baião que nem o mais fanático dos forrozeiros consegue, de cabeça, elencar todos. A relação abaixo contém os principais tributos lançados em 2012, além de alguns que só chegaram às lojas no decorrer de 2013, e, com certeza, ajuda a quem deseja pesquisar e adquirir essas merecidas homenagens ao maior expoente da nossa música nordestina:

- Abrindo o baú de Luiz Gonzaga (Adelmário Coelho) - O baiano Adelmário Coelho, em seu 18º trabalho, optou pelo formato "acústico" que, no forró, nada mais é que a ausência de instrumentos como bateria, teclados e metais, resultando em um excelente disco. A escolha das faixas também foi um diferencial, pois fugiu do óbvio ao regravar canções como "Tu qué mingabelá?" (Luiz Gonzaga), "Terra, vida e esperança" (Jurandy da Feira), "Sertão sofredor" (Joaquim Augusto/Nelson Barbalho) e "Manoelito Cidadão" (Luiz Gonzaga/Helena Gonzaga".

Ouça "Tu qué mingabelá":  


- As sanfonas do Rei (Falamansa) - Um dos maiores responsáveis pela popularização, entre as gerações mais jovens, do forró na região sudeste, o Falamansa contou com a participação de Elba Ramalho e Dominguinhos, entre outros, para prestar seu tributo a Luiz Gonzaga. A última faixa do disco, "A hora do adeus" (Onildo Almeida/Luiz Queiroga) é um dueto "póstumo" com Luiz Gonzaga, retirado do cd "Duetos com Mestre Lua", lançado há alguns anos. O destaque do álbum é a regravação de "Erva rasteira" e "Festa", ambas de Gonzaguinha, em uma única faixa, com a participação de Jorge du Peixe e Gustavo da Lua, do grupo pernambucano Nação Zumbi.

Ouça "Erva rasteira/Festa":  

- Gonzaguiando nos oito baixos (Luizinho Calixto) - Defensor árduo e divulgador da histórica e cada vez mais rara sanfona de oito baixos, pouco procurada devido ao som limitado (porém único) e à dificuldade na sua execução, Luizinho Calixto, paraibano, irmão mais novo dos também forrozeiros Bastinho e Zé Calixto, gravou somente versões instrumentais - embora também seja cantor - de sucessos de Gonzaga, como "Sabiá" (Luiz Gonzaga/Zé Dantas), "Xote das meninas" (Luiz Gonzaga/Zé Dantas) e "Qui nem jiló" (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira). No acompanhamento do "pé-de-bode" (apelido popular do fole de oito baixos), instrumentos como sanfona de 120 baixos, pandeiro, triângulo e zabumba, todos tocados pelo próprio Luizinho, além de violão 7 cordas, cavaquinho, pandeiro, violino, flauta e clarinete.

Ouça "Vida de viajante":  




- Tem sanfona no choro (Marcelo Caldi) – O jovem acordeonista, pianista, arranjador, cantor e compositor Marcelo Caldi também celebrou o centenário de Gonzagão em um disco todo instrumental. Da mais nova safra de acordeonistas brasileiros, Caldi costuma explorar e fundir vários ritmos em seu estilo, indo do forró ao jazz, do choro ao erudito. Nesse belíssimo trabalho em homenagem a Luiz Gonzaga, o músico carioca, ao contrário de Luizinho Calixto, preferiu buscar canções instrumentais pouco lembradas do repertório do Rei do Baião, como “Seu Januário”, “Luar do Nordeste” e “Araponga”, todas compostas pelo homenageado.  

Ouça "Seu Januário":  

- Jurandy da Feira canta Gonzagão (Jurandy da Feira) - Parceiro do Rei do Baião nos anos 70/80, o baiano Jurandy da Feira é o autor de 4 canções gravadas por Luiz Gonzaga: "Nos cafundó de Bodocó" (1976), "Frutos da terra" (1982), "Canto do povo" (1983) e "Terra, vida e esperança" (1984), todas regravadas nessa homenagem, ao lado de grandes sucessos como "Légua tirana" (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), "Pense n'eu" (Gonzaguinha) e "A letra I" (Zé Dantas). 

Ouça "Terra, vida e esperança":  


- 100 anos de Gonzagão (Jorge de Altinho) - Outro parceiro de Gonzagão nos anos 80, Jorge de Altinho regravou 10 canções conhecidas, mas que, no geral, não foram os maiores sucessos do Rei do Baião, como "Fulô da maravilha" (Luiz Bandeira), "Amei à toa" (João Silva/Joquinha Gonzaga) e Mané Gambá, de sua própria autoria. O curioso é que esse cd saiu no formato convencional, em box de acrílico, com encarte, e em capinha de papelão, estilo promocional, sem encarte, mas que vem com 4 faixas extras remasterizadas, gravadas na década de 80 com a participação de Luiz Gonzaga.


Ouça "A sorte é cega":  


- No Ton de Seu Luiz (Ton Oliveira) - O paraibano Ton Oliveira bem que poderia ter repetido o estilo do seu melhor disco, o "Pra matar saudade", de 2006, quando gravou no formato mais tradicional do forró, sem uso de bateria, que ficou muito acentuado nessa homenagem a Luiz Gonzaga. O trabalho não ficou prejudicado por isso, mas o pecado mesmo, sem dúvida, foi a participação de Frank Aguiar em "Xote ecológico" (Luiz Gonzaga/Aguinaldo Batista). Não dá pra ouvir essa, nem qualquer outra música de Gonzagão, com "uivos" ao fundo.


Ouça "Matuto de opinião":  


- Petrúcio Amorim canta Gonzagão (Petrúcio Amorim) - O autor de "Filho do Dono" e "Tareco e mariola" também prestou seu tributo a Gonzagão, que acabou saindo como uma "meia homenagem". Explico: a primeira metade do cd traz canções baseadas no repertório de Gonzaga, com destaque para "Amanhã eu vou" (Beduíno), que tem a participação de Karine Leal, porém, a outra metade é uma coletânea de músicas retiradas de diferentes cds da carreira de Petrúcio Amorim. À exceção de "O Rei nas estrelas", de sua autoria, as demais não possuem ligação com o homenageado.


Ouça "Amanhã eu vou":


- Flávio José canta Luiz Gonzaga (Flávio José) - Como não poderia deixar de ser, Flávio José mais uma vez gravou um excelente trabalho. O cd, que só saiu no final de 2012, traz 12 faixas, dentre elas 3 pout-pourris, e vem com uma bela capa (lembra a página inicial do Ralabucho!) e encarte com letras. Nas regravações de "Légua tirana"  e "Estrada de Canindé", ambas de Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira, participação do Quinteto de Cordas Stacatto, repetindo a experiência que Flávio José tivera em apresentações ao lado de orquestras.


Ouça "Cigarro de paia":



- Luas do Gonzaga (Gereba Barreto & Convidados) - Certamente, o tributo mais interessante de todos os lançados em 2012. Para o projeto, o cantor, compositor e violonista baiano Gereba reuniu uma seleção de compositores, a exemplo de Xico Bizerra, Maciel Melo, Lirinha e Zeca Baleiro, para inserir letras em valsas, choros e maracatus instrumentais da obra de Luiz Gonzaga. Para interpretá-las, cantores de primeira linha como Elba Ramalho, Flávio Venturini, Adelmário Coelho/Santanna, Dominguinhos/Maciel Melo, Jorge Vercilo, Lenine/Margareth Menezes, Zeca Baleiro e outros. O álbum também possui faixas em homenagem ao Rei do Baião, como "Galope além do mar" (Gereba/Capinam), intepretada por Gereba, e "Sete Luas do Gonzaga" (Gereba/Ronaldo Bastos), na voz de Jussara Silveira. Pra completar a obra-prima, desfilam no disco alguns dos maiores acordeonistas do país: Dominguinhos, Oswaldinho, Genaro, Cézar do Acordeon, Silvinho do Acordeon, Targino Gondim, Cicinho de Assis, Marquinhos Café e Antônio Bombarda, além, claro, do próprio Gonzagão, em sanfona retirada da gravação original de "Verônica".

Ouça "Sanfona dourada", com Dominguinhos e Maciel Melo:



- No balanço do forró - Genival Lacerda canta Luiz Gonzaga (Genival Lacerda) - Com mais de 80 anos de idade, "Seu Vavá" demonstra ainda estar em forma na sua homenagem ao Mestre Lua, que conta com a produção de seu filho João Lacerda e a participação especial de Flávio José, Fagner, Elba Ramalho, Dominguinhos, Chico César e outros. Apesar de ser um bom disco, Genival repetiu o mesmo erro de Ton Oliveira ao convidar Frank Aguiar para "uivar" em uma das faixas ("Deixa a tanga voar", de Luiz Gonzaga e João Silva).



Ouça "Penerô xerém":

- Concerto para Gonzaga (Alcymar Monteiro) - No lugar da instrumentação tradicional do forró, Alcymar Monteiro optou por dar um tom erudito a alguns dos principais sucessos de Gonzagão, cantando acompanhado pela Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Coque, de Recife. Talvez por esse motivo Alcymar tenha incluído apenas as canções mais conhecidas da obra do homenageado. Além das interpretações do cantor, há 4 faixas instrumentais executadas pela Orquestra. Com bela produção, o álbum vem em embalagem luxuosa, no formato cd+dvd, e ainda pode ser encontrado em lojas na internet, ao preço médio de 40 reais.


Ouça "Juazeiro":



- Mais canções de Luiz (Targino Gondim) - Após ter lançado o excelente "Canções de Luiz", em 2008, o cantor e sanfoneiro Targino Gondim voltou a gravar um tributo a Luiz Gonzaga, agora intitulado "Mais canções de Luiz". Para essa ocasião, o músico compôs e gravou especialmente a canção "Bendito o dia de Luzia", em referência à data de aniversário do homenageado, 13 de dezembro, dia de Santa Luzia. As demais músicas são do repertório do Rei do Baião, com destaque para "Velho Novo Exu" (Luiz Gonzaga/Sílvio Moacir Araújo) e para a faixa que encerra o disco, "Subindo ao céu", valsa de Aristides Borges gravada por Gonzaga em 1944.



Ouça "Bendito o Dia de Luzia":

- Diassis Martins cantando Gonzagão (Diassis Martins) - Natural de Ipu/CE, Francisco de Assis Martins, ou simplesmente Diassis Martins, decidiu fazer seu tributo ao Rei do Baião prestes a completar 30 anos de carreira dedicada ao forró. Gravou um cd com diversos sucessos de Gonzaga, com destaque para as menos conhecidas "Obrigado, João Paulo" (Luiz Gonzaga/Pe. Gotardo Lemos), em homenagem ao Papa João Paulo II, e "Corrida de Mourão" (Pedro Bandeira). O ponto negativo fica por parte do excessivo som da bateria utilizada nas gravações, tirando um pouco da originalidade do autêntico forró.


Ouça "Eu vou pro Crato":


- Lourdinha Oliveira e as cantadeiras do Rei Luiz (Lourdinha Oliveira) - Apesar de ter dedicado grande parte de seus 20 anos de carreira à música romântica, Lourdinha Oliveira, alagoana radicada em Recife/PE, também é autora de vários discos de forró. No mais recente, convidou diversas cantoras da cena musical pernambucana, a exemplo de Irah Caldeira, Cristina Amaral, Joana Angélica e Nádia Maia, para prestar um tributo a Gonzagão. Das doze faixas do álbum, sete incluem participações especiais. O repertório é todo baseado em canções famosas do repertório gonzagueano, à exceção da faixa de abertura, "Lua Brasil", composta por Xico Bizerra.


Ouça "A morte do vaqueiro":


- Flavinho Lima canta Luiz Gonzaga (Flavinho Lima) - Embora contenha 15 faixas, o álbum gravado pelo jovem forrozeiro Flavinho Lima traz a interpretação de 37 canções gravadas por Luiz Gonzaga, a maioria delas na forma de pout-pourris, com destaque para o que é composto por "Do lado que relampea" (Luiz Guimarães), "Saudades de Helena" (Antônio Barros) e "Dedo mindinho" (Luiz Gonzaga), músicas menos populares do repertório de Gonzaga. Apesar da idade, Flavinho Lima tem desenvoltura, boa voz e um futuro promissor, se continuar trilhando o caminho do verdadeiro forró. Pena que o cd tenha saído em embalagem de papelão, sem encarte, ficha técnica e informações.


Ouça "Do lado que relampea/Saudades de Helena/Dedo mindinho":


- 100 anos de Gonzagão (Novinho da Paraíba) - Atualmente morando em Pernambuco, Novinho da Paraíba optou por gravar esse disco justamente em sua terra natal, Monteiro/PB, berço também de outros grandes nomes da cultura nordestina como Flávio José, Dejinha de Monteiro e o poeta Pinto do Monteiro. No cd, Novinho interpreta 18 faixas que fizeram sucesso com Luiz Gonzaga, além de "O Rei nas estrelas", de Petrúcio Amorim, e "Centenário do Gonzagão", parceria sua com Zelito Madeira. Também em embalagem de papelão, sem muita produção, o álbum ao menos informa, na contracapa, o ano das gravações originais.


Ouça "Viola de Penedo":

- 100 anos do Rei ao vivo (Erivaldo de Carira) - Com longa trajetória no forró, Erivaldo de Carira, sergipano que incorporou a cidade natal ao seu nome artístico, é pai de três novos talentos da música nordestina: Erivaldinho, Mestrinho (que produziu o discos) e Thaís Nogueira - os dois últimos também faziam parte do Trio Juriti. Das 28 faixas do cd, 26 são do repertório gonzagueano e outras duas homenageiam o Mestre: "Tributo ao Rei do Baião" (Canindé Soares) e "Centenário Gonzagão" (João da Passarada/Erivaldo de Carira). Assim como o de Flavinho Lima, o cd de Erivaldo também saiu em embalagem de papelão, desprovido de ficha técnica e informações.


Ouça "Chá Cutuba":



- O samba do Rei do Baião (Socorro Lira e Oswaldinho) – Uma das mais férteis compositoras paraibanas da atualidade, Socorro Lira uniu-se ao consagrado acordeonista Oswaldinho para gravar uma primorosa homenagem a Luiz Gonzaga. Apesar do título, o disco traz, além do samba (“Meu pandeiro” – Luiz Gonzaga/Ary Monteiro), o baião (“Tudo é baião” - Luiz Gonzaga/Zé Dantas), carimbó (“Tacacá” - Luiz Gonzaga/Lourival Passos), maxixe (“Bamboleado” – Luiz Gonzaga/Miguel Lima), chorinho (“Sanfonando” – Luiz Gonzaga), maracatu (“Rei Bantu” – Luiz Gonzaga/Zé Dantas) e outros ritmos gravados em canções pouco conhecidas da obra de Gonzaga, lançadas entre 1942 e 1956. Como convidados, Papete, Oswaldinho da Cuíca, Ventura Ramirez, Susana Travassos e Uxía fazem duetos de vozes com Socorro Lira. Destaque também para a bela arte do encarte, que contém ainda letras e explicações sobre os diferentes gêneros explorados no disco. 

Ouça "Rei Bantu":  


- Festival Rootstock 2012 - Edição Luiz Gonzaga (vários artistas) - Lançado no formato dvd+cd, o registro traz apresentações ao vivo ocorridas durante a 11ª edição do Festival Rootstock, evento anual que reúne diversos artistas e trios de forró pé de serra, e que em 2012 foi realizado entre os dias 15 e 18 de novembro, no município de Cabreúva/SP. Diferentes forrozeiros participam do dvd/cd, mesclando o talento da nova geração (Trio Dona Zefa, Mestrinho, Thaís Nogueira, Trio Alvorada, Diogo Oliveira, entre outros) com a experiência de nomes já consagrados (3 do Nordeste, Edson Duarte, Trio Sabiá, Fuba de Taperoá, João Silva). No repertório, composições de João Silva que integravam o repertório de Gonzaga, com exceção de "Rootstock Gonzagão" (João Silva/Dina Nogueira), interpretada pelo prório João Silva. O dvd inclui ainda entrevistas e depoimentos, além de encarte com textos, ficha técnica e letras.


Ouça "Recado do Velho":

- 100 anos de Gonzagão (vários artistas) - Box com 3 cds, produzido por Thiago Marques Luiz, que traz 50 gravações inéditas de artistas de diversos estilos, demonstrando a importância da obra de Luiz Gonzaga em toda a música brasileira. O cd 3, por exemplo, traz como nome tradicional do forró apenas Dominguinhos, ao lado de artistas de outros gêneros como Paulo Neto, Márcia Castro, Milena, Eliana Pittman, Virgínia Rosa, 5 a Seco etc. Os mais conservadores podem não gostar da inclusão de vários artistas com pouca ou nenhuma ligação com o forró, mas, apesar de algumas gravações realmente irregulares, o resultado é interessante. 

Ouça "Vozes da seca/Baião da garoa", com Cátia de França e Passoca:

- Salve 100 anos Gonzagão (vários artistas) - Coletânea organizada pelo cantador Téo Azevedo, o disco conta com 16 faixas interpretadas pelo próprio Téo e por nomes como Jackson Antunes, Genival Lacerda/João Lacerda, Caju e Castanha, Tiziu do Araripe etc. Todas as faixas são de autoria de Téo Azevedo, com exceção do poema "Um baiãozinho para o Rei do Baião", de Assis Ângelo, e pelos "Causos Gonzagueanos", dos irmãos Mano Véio e Mano Novo. Nenhuma das canções do disco é do repertório de Luiz Gonzaga e algumas nem sequer falam no Rei do Baião, mas o cd vem com uma preciosidade: "Padroeira da Visão", única faixa inédita do álbum, que é uma poesia de Téo Azevedo musicada por Luiz Gonzaga em 1984 e gravada ano passado por Dominguinhos, especialmente para o disco.

Ouça "Padroeira da Visão (Santa Luzia)":

- O lado B do Gonzagão (vários artistas) - Coletânea com músicos de gêneros variados da cena musical de Pernambuco, o disco se tornou um dos principais tributos por explorar canções pouco conhecidas da obra de Gonzaga, como "Amor da minha vida" (Raul Sampaio/Benil Santos), na voz de Geraldo Maia, e "Menestrel do Sol" (Humberto Teixeira), interpretada por Zé Manoel e Noé Sosha. O cd conta com arranjos diferentes, mais voltados à música pop, tanto que o acordeon só se faz presente em "A dança do Nicodemus" (Zé Marcolino), Feijão cum côve (J. Portela) e "Chofer de Praça" (Ewaldo Ruy/Fernando Lobo), executadas por Adriana BB, Quinteto Dona Zaíra e Jr. Black, respectivamente.

Ouça "Feijão cum côve", com Quinteto Dona Zaíra:

- Olha pro céu (vários artistas) - Lançada em cd duplo, a coletânea abrange versões de sucessos  gonzagueanos gravados por diversos artistas ao longo de suas carreiras. Quinteto Violado (cinco faixas), Caetano Veloso e Gilberto Gil (quatro faixas cada) são os que mais se repetem no disco, que também traz regravações feitas por Elba Ramalho, Alceu Valença, Gal Costa, Dominguinhos, e por nomes menos conhecidos como Marília Medalha e Gerson King Combo e a Turma do Soul. A única faixa inédita é a versão de Caetano Veloso para "Respeita Januário", gravada em 1999, com voz e violão, para um disco caseiro em homenagem a seu filho.

Ouça "Respeita Januário", com Caetano Veloso:



- Baião de dois (Luiz Gonzaga e vários artistas) – No estilo do cd “Duetos com Mestre Lua”, lançado em 2001, a compilação apresenta duetos “virtuais”, permitindo que artistas como Dominguinhos, Zeca Pagodinho e Geraldo Azevedo, além de outros que não eram nem conhecidos quando Luiz Gonzaga faleceu, a exemplo de Chico César, Ivete Sangalo e Zeca Baleiro, dividissem os vocais com o Rei do Baião, graças à inserção de suas vozes nas gravações originais. Também foram incluídos novos instrumentos em “Asa Branca” (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), com Fagner, e Paraíba (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira), com Elba Ramalho. O álbum, produzido por José Milton e Raimundo Fagner, traz ainda três duetos “reais”, retirados de LPs do próprio Gonzaga: “Plano Piloto” (Alceu Valença/Carlos Fernando), de 1983, com Alceu, “Forró nº 1” (Cecéu), de 1985, com Gal Costa, e “A vida do viajante” (Luiz Gonzaga/Hervê Cordovil), de 1979, com o filho Gonzaguinha.


Ouça "Danado de bom", com Luiz Gonzaga e Zeca Baleiro:


- Outros músicos que lançaram álbuns em homenagem a Gonzagão em 2012/2013: Sandro Becker (100 anos de Gonzagão, em cd/dvd), Quinteto Violado (Quinteto Violado canta Gonzagão - coletânea com versões gravadas ao longo da trajetória do Quinteto), Maria Dapaz (relançamento do cd Vida de Viajante) e Israel Filho (relançamento do disco Saudades de Gonzagão, de 1993, com uma faixa extra).